domingo, 4 de outubro de 2009

flores ao mar....


(foto: by Dani Dyas)


Sonhos que inspiram poemas, que nascem de sonhos, que semeiam flores. Flores que gorjeam pássaros, que voam no espaço onde brotam amores. Amores que nascem do vento, que transformam o tempo que moveu as águas. Águas que geraram vida, que fluidificaram, vivas, a cura das mágoas. Mágoas que memórias são, que diluídas são, quando a luz se expande. Expansão que da inspiração de um poema sonhado, um amor semeado, um pássaro deslumbrado na divina imensidão...Imensidão de um amor tranformado, no tempo, fortificado, dentro do coração. Coração que flui como um velho rio, pelos desafios, do destino incerto....Águas que carregam flores, que serenam dores com a sabedoria dos desertos. Passaráguas, que outrora cantarão em cascatas, como em serenatas de quem quer amar....Sonhando a bela  hora de se lembrar de tudo, e se esquecer de tudo, para morrer no mar....



(Se fores ao mar, se flores ao mar, mares escreva mas não de palavras. Mares de olhar, de molhar o olhar-se. Mar que se é, mais, SÊ flores ao mar, que se não fores ao mar, mar que há em ti, irá.Mar que há em ti florescerá, e tu flores serás...flores serenas ao mar.)

Tempoesianotempo




Um poema não tem hora pra nascer. Um poema não tem hora. Todas as horas é que têm milhares de poemas esperando para serem acessados por nós, esperando para serem concebidos, enfim. Mas também não somos nós quem dá à luz um poema, mas a poesia que ilumina e vivifica os sensíveis e capazes de respirarem sua sutileza. Ninguém inventa poesia! Ela é que venta, e nos reinventa a cada dia...

(tempoesianotemponotempotempoesia!)

Pássaro de som em mim que sou vento.



Ruas e rios
que passam
por onde passo
enquanto penso
por onde vão meus passos
Um tempo que passa
num rio que nunca é o mesmo
e nós que passamos
pelos mesmos rios e ruas
e que também não.
Pelo passado, pela passagem,
Pela paisagem, pelo pensamento
pássaros que passeiam por nós,

por dentro.

Santa Maria dos Vilarejos



Era como margaridas na janela a delicadeza daquela existência...
Tão pura aquela imagem colorindo os verdes prados, as margens do arroio...
Era ela, Santa Maria dos Vilarejos, a bela flor do vale, a divina luz das campinas...
Pássaro gorjeando nas manhãs primaveris.
 Caminhando, leve, enroscando seu manto nas árvores à beira do caminho, outrora nas nuvens...
Florindo! Derramando lágrimas de amor , singelas gotas de orvalho nas pétalas perfumadas do amanhecer..... Divina, Meiga, doce bailarina dos jardins!
Girando e cantarolando com ternura seu jeito de ser...tão sublime e grandiosa!
Seguindo...pelas estradas de terra, pelos caminhos de vento, por sua trajetória de cores triunfantes...
Seu olhar desabrochando botões inocentes de fé e humildade. Seu sorriso semeando amor no coração da humanidade...Santa Maria dos Sonhos Brasileiros...Nossa Senhorinha do vestido bordado, do manto colorido...Mãe menina, guardião da doçura! Símbolo genuíno da claridade interior que pode dar a luz ao Cristo...
Bendito é o fruto do vosso amor que colhemos assim...
cada vez mais tua serena paz em Deus em mim....
Ave Maria, me leva contigo nesse vôo sem fim!

(Thaís)

terça-feira, 31 de março de 2009

In Lak´ech



Eu sou o que eu acho de mim.
Sou o que acho de mim quando me procuro...
e também sou mais.
O infinito, o indizível,o indivisível...
totalidade desconhecida,
parte minha desencontrada
descontraída
abraçada
com o mistério da vida.

domingo, 29 de março de 2009

Sobre a escrita


Sobre a escrita
Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.
Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.
Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.
Simplesmente não há palavras.
O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.
Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.
Simplesmente as palavras do homem.
Clarice Lispector

sábado, 14 de março de 2009

...


Adeus!

Estou indo cumprir a minha sina de semente...

que é desabrochar com força e encanto

e florescer os caminhos!