quarta-feira, 21 de abril de 2010

Acácias...à Cássia...




Eu ando pelas tuas ruas sem temer
estas sinalizações libertárias
não vêm me contradizer
Tuas inconformidades com mentes arbitrárias
em artísticas formas de transparecer...
( fazem-me compreender)
...
Eu passeio pelas tuas cores,
reticências e ausências de pontos finais
entre as pétalas das sertanejas flores
teus folclores e carnavais...
E eu transito pela tua fala
nas urgências, e excessos
Quase adivinho o que em ti se cala
que não é sonho, nem protesto
Te encontro e me embala
tua melodia, teus versos
Avessos, inversos
vastos jardins de acácias...
Intensos,impressos...

(como tal breve poema à Cássia...)



para a amiga...





Epitáfio



Aqui jaz
uma semente plantada
mal cuidada,
que morreu sem ter nascido...

Lágrimas ainda molham
a flor imaginada
despetalada,
a qual abandonamos,distraídos.

Enterramos os poemas
e as velhas utopias...
Nascem novas estrelas
e distanciando-nos vão os dias ...


- Oh! rosa do esquecimento
que desabrocha nos meus jardins
incompreensíveis
Serás um dia perfume de saudade
entre os meus versos
 irreconhecíveis...

Porque todo silêncio eu herdei...
mas minha esperança segue pura
grave, profunda, e imatura
mas livre de qualquer sepultura.




Fim

terça-feira, 23 de março de 2010

"A pele treme na felicidade, e a alma sobe feliz até o olho"




"...pois juntos somos capazes de ver
a beleza das almas
ocultas como os diamantes
dentro do relógio do mundo..."
Allen Ginsberg

Caleidoscópicamente abre-se a pétala da minha retina
capaz de absorver
a essência abstrata de tudo que se configura,
se transfigura além das formas do estabelecer...

Olhos celestiais, sedentos de cristalinidade
bebem as chuvas,
 orvalham-me a face
Saciam-se de uma nova liberdade

As ruas da cidade
clamam por transcender
o poder ocular ocultando-se da verdade
o vazio da íris que enxerga e não vê...

Thaíris

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Soneto de quarta-feira de cinzas




Por seres quem me foste, grave e pura
Em tão doce surpresa conquistada
Por seres uma branca criatura
De uma brancura de manhã raiada

Por seres de uma rara formosura
Malgrado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aventura
E menos que a constante namorada

Porque te vi nascer de mim sozinha
Como a noturna flor desabrochada
A uma fala de amor, talvez perjura

Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo, e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura.

Vinicius de Moraes

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Armazém de ecos e achados...



PROA

"O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Que venham as tormentas, que venha o que vier,
tenho o sonho comigo, o sonho é meu pastor.

O mundo da aparência não me engolirá.
Conheço bem suas manhas, meu ofício é interior:
girassol que é girassol tem proa pro amanhecer.

O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Com ele eu teço o mundo, reinvento a via-láctea.
Mistérios são bem-vindos, o sonho é meu pastor.

Ou eu busco a verdade ou ela não me achará.
Minha verdade, o sonho, é pomar e é brasão.
Seu universo, os versos, fio do sim e do não.

O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Encontro nele a luz, meu alimento e cor.
Que escorra a ampulheta, o sonho é meu pastor."

 



Edival Perrini

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vida - idas e vindas...




                                                                                                                                                                                           
Abstenho-me da hora que me apressa
Entrego-me ao aqui para conhecer
Atraso um futuro que não me interessa:
- Vem presente me convalescer!

Do som da chuva,
conto o que escuto à vida:
A trêmula voz da despedida
canta tristeza bonita de viver...

Há satisfação em me pertencer
Em me habitar sem me permanecer
Entre risos e prantos
Desilusões e encantos
Improvisando a própria dança
Maneira particular de percorrer
estradas de inventar a própria distância

Tenho a dúvida necessária
Para que a fé se fortaleça
Amor que me encontre!
Medo que me esqueça...

Planto certezas nas terras do relativo
esses campos de contradições, tão meus....
Aos que perguntam como vivo (?)
Chegando de longe e já partindo
Eu digo: eu vivo é de Adeus!


Porque o tempo gira na roda do mundo.
e a morte e a infância
a Saudade e a esperança...
São sementes guardadas num calor profundo

Entre poentes e nascentes constantes
de recomeço incessante
(Natural se me confundo)
Mas sou grata pela vida renascente
Pulsante no topo da mente
Surreal
A cada segundo...

Em Hastinapura
Eu compreendo Arjuna
Em sua indecisão
Para alcançar a plenitude
Entre vícios e virtudes
Só mesmo a voz do coração....

A paz é a única arma e certeza
O amor, verdadeira glória e nobreza
Vencer a própria involução
A renuncia é a pronúncia
Do amor transformado,
Em jejum da paixão.


Transcorrendo o tempo
fértil em mudanças
bebi da água límpida
das mesma fontes que vós
E vi serem comuns nossas lembranças.
A alma e suas andanças
As partidas e as chegadas
Sombras fúnebres e alvoradas
(Itinerários de lágrimas mansas.)


Vejo datas e letras antigas
Imagens fantasmagóricas
Às vezes entorpecidas...
No cemitério da memória
Atravessando pontes do agora
Passado que se precipita.


Guardo os pergaminhos dos tempos idos
Minhas histórias, os versos lidos.
Alicerces que nos construíram.
Canções, livros e lendas
Velhos amores relembrados
Cartas e mapas de caminhos deixados
Entre sábias palavras que nos remiram...
E percorro as ruínas
E as altas montanhas
As colinas e as praias desertas
Antigas terras, antigas serras...
Sede de todas as direções incertas...

Nas altas capelas
Dizeres de santos e profetas
Cobertos pelo pó, que finge eternidade.
Efêmero como as paixões que subitamente
Nos invadem
Triste sina do coração que fica
É corpo que parte!


(Só o amor permanece)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O bem me quer, o mar me quer...


Quem me olha da beira jamais saberá de minha profundidade.
Sequer pode enxergar toda a superfície.
Todo julgamento é raso.
Eu nasci no fundo do mar.
Minha alma vai alcançando a calmaria ,
a calma de Maria que me faz marear...
Mar e ar...Aprendo a respirar.
O perdão é o alento que nos livra do sufoco de odiar...